Especial para AREP Express a) TRANSCEPTORES Enquanto na última dxpedição à ilha do Arvoredo ainda foi utilizado transceptor Atlas-210, controlado a cristal e VFO, hoje em dia todos os transceptores são de freqüência sintetizada. A diferença entre as exigências de alimentação são muito significativas. Embora ambos os sistemas funcionem bem com a alimentação entre 12 e 16 Volts, o Atlas continua a funcionar, embora com potência de saída reduzida, mesmo quando for alimentado com tensão inferior a 12 Volts; mas os transceptores atuais, todos à base de freqüência sintetizada, não conseguem sintetizar a freqüência abaixo de 12 Volts, e o transceptor fica inoperante. Por este motivo, eles são muito mais críticos quanto à qualidade de regulagem da alimentação de energia. b) FONTES DE ALIMENTAÇÃO A esmagadora maioria dos radioamadores que utilizam transceptor de estado sólido com fonte de alimentação externa para rede alternada, não tem a menor idéia de qual é a tensão mínima da rede com a qual a fonte ainda é capaz de fornecer 12 Volts de tensão contínua com sua carga máxima nominal, e que ocorre nos picos de modulação. Em dxpedições, o dado éessencial. Quando a tensão da ilha Anchieta, nominalmente trifásica de 220/127 Volts, caiu para 167 Volts entre fases, a única das três fontes levadas à dxpedição, que continuou a funcionar a contento, foi a de construção caseira, projetada e montada pelo nosso colega Demarinis PY2YW. As demais caíram abaixo de 12 Volts e, conseqüentemente, os transceptores a elas ligados deixaram de funcionar. A descrição completa da fonte de 40 Ampères de PY2YW foi publicada no Boletim da AREP número 14 (julho/agosto). Como conhecer os limites do funcionamento de nossas fontes de alimentação antes de empreender uma dxpedição? É necessário utilizar um transformador continuamente variável, conhecido também pela marca Variac (nome registrado pela General Radio). Ligando a ela um transceptor com consumo máximo ajustado pelo controle da portadora, reduzimos a tensão de alimentação da fonte até a tensão contínua de saída atingir a marca de 12 Volts. Quanto maior for a gama de regulagem de uma fonte de alimentação, tanto mais queda de rede ela aguenta, mas também tanto maior fica sua dissipação de calor quando operada perto de tensão nominal da rede. No caso da fonte de PY2YW, a gama de regulagem efetiva chega a 25% da tensão de entrada. à ilha do Arvoredo, o gerador de 1.500 Watts alimentou quatro transceptores, cada um com consumo pico de 300 Watts. Acontece que os picos de modulação entre os quatro transceptores, operados por quatro radioamadores diferentes, nunca coincidiam e, assim, sua variação entre 300 Watts e quase nada de qualquer um deles não causou ao gerador uma variação de carga maior que 20%, nem sequer percebida na tensão de saída bem regulada. Assim sendo, podemos concluir que alimentando os transceptores diretamente do motogerador, este deve ter uma potência. c) GERADORES AUTÔNOMOS Para estar preparado para qualquer imprevisto no fornecimento de energia elétrica é necessário levar ao menos um motogerador portátil alimentado, normalmente, com gasolina. Mas é preciso observar um ponto importante: não se pode utilizar qualquer gerador com um transceptor com consumo pico igual à sua potência nominal. Acontece que, com a modulação ou com a manipulação de telegrafia, a carga sobre o motogerador variava entre seu valor total e quase nada. No caso da última dxpedição no mínimo, quatro vezes maior que o transceptor de maior consumo. O que fazer com um gerador menor, de 300 Watts, em uma dxpedição? Basta recorrer a uma alimentação indireta. Cada transceptor, ou cada par de transceptores, é equipado com uma bateria de acumuladores de 12 Volts - 42 Ampère-horas ( por exemplo, como os utilizados nos carros a álcool) e estas baterias, cada uma com seu carregador de 4 Ampères, fica alimentada em 120 Volts, pelo gerador de 300 Watts, puxando uma corrente total de 2,5 Ampères. Recebendo, assim, cada um dos três carregadores de bateria, uma potência constante de 100 Watts, esta fica, mesmo considerando as perdas inevitáveis de conversão e de armazenamento químico, bem acima da média de consumo dos transceptores (os picos de modulação nas transmissões ficam compensadas durante os períodos de recepção). Convém utilizar baterias que não necessitem reabastecimento de água, pois na esmagadora maioria das dxpedições não há água destilada disponível. d) AUTOTRANSFORMADORES Considerando as grandes variações das tensões das eventuais redes locais já existentes, temos que providenciar meios para poder aproveitá-las. Por exemplo, quando na ilha Anchieta a tensão caiu para 167 Volts, esta era demais para as fontes e aparelhos ajustados para 120 Volts ou 127 Volts, mas com a única exceção acima citada, insuficiente para entradas ajustadas para a posição de 220 Volts. O que fazer então? Quando se planeja uma dxpedição a um local onde já exista algum gerador de corrente alternada, deve-se levar um autotransformador de, no mínimo,1 kVA, com derivações em 0, 130 Volts, 150 Volts, 170 Volts, 200 Volts e 230 Volts. Este transformador serviria não somente para baixar para 127 Volts redes de 220 Volts nominais que fornecem tensões inferiores, mas também para aumentar quando redes de 127 Volts nominais fornecem tensões muito inferiores. Em outras palavras, eles trazem qualquer tensão encontrada para dentro dos limites das fontes de alimentação e dos demais aparelhos. Os carregadores de baterias, normalmente, não são críticos para quedas na tensão de alimentação. Com tensões inferiores, eles carregam com corrente menor, mas não deixam de funcionar desde que sua tensão de saída esteja superior à tensão da bateria. Assim sendo, quando cada transceptor é equipado com uma bateria e carregador, este último pode ser alimentado tanto pelo motogerador como pela rede, não sendo necessária, neste último caso, a sua correção pelo autotransformador. Iwan T. Hálasz, PY2AH.